Posts Tagged ‘Jerônimo Mendes’

setembro 14th, 2009

Jerônimo Mendes | O desafio de equilibrar a vida pessoal e profissional

Equilibrar a vida pessoal e profissional é arte para poucos privilegiados, um desafio que deve ser estudado com frequência e superado no mais breve espaço de tempo possível para não comprometer a reta final da nossa curta existência. E aqui entre nós, eis aqui um desafio que ainda nos faz verdadeiros escravos do dinheiro, do sucesso e da competição desenfreada, por inúmeras razões que a própria razão desconhece.

Infelizmente, isso não é privilégio da nossa geração. De acordo com Kenneth S. Lynn, historiador, biógrafo e crítico literário americano, no Século 19 Mark Twain, autor de O Príncipe e o Mendigo, um dos melhores romances que já li, demonstrava total desencanto com o sórdido materialismo da vida americana, algo que se tornou ainda mais profundo pelo sentimento de culpa por saber que também sucumbira à sedução da “deusa-cadela”, um termo sarcástico, e ao mesmo tempo depreciativo, utilizado para se referir à busca desenfreada do sucesso, do êxito e da valorização desmedida do dinheiro.

Em pleno Século 21, boa parte da humanidade concentra energia no culto à “deusa-cadela” ao adotar valores equivocados que lhe proporcionam quinze minutos de fama e, em seguida, depressão acentuada e desequilibro permanente entre razão e emoção. Digo isso com uma ponta de arrependimento, e ao mesmo tempo de alívio, ao lembrar que até há pouco tempo eu me considerava um desses alienados que imaginavam ser o dinheiro, o sucesso e o trabalho, as coisas mais importantes da vida.

setembro 7th, 2009

Jerônimo Mendes | O Maestro e sua Orquestra

Ano passado tive a alegria de conhecer o Maestro João Carlos Martins durante um evento em que participamos juntos, em Belo Horizonte. Naturalmente, ele era a estrela do evento, afinal, são mais de 50 anos de dedicação à música. Um dos maiores intérpretes de Johann Sebastian Bach, o maestro é um exemplo de disciplina e perseverança, o que lhe custou os movimentos da mão esquerda e, um ano depois, os da mão direita, fato que o impediu de continuar exercitando a sua vocação original, desde 2003.

Como a natureza é sábia, o maestro não desanimou, afinal, quando uma porta é fechada, muitas outras se abrem para aqueles que sabem cair e levantar com elegância e determinação. Como diz um antigo provérbio japonês, “caia sete vezes, levante-se oito”, mas nunca se deixe abater. O fato é que você não pode mudar as circunstâncias, mas pode mudar a si mesmo e redirecionar a energia para os inúmeros dons que ainda lhe restam. E foi com esse espírito que João Carlos Martins redirecionou toda sua energia para o ofício de maestro, adicionando um novo alento à sua vida e à sua carreira. Entretanto, para atingir novamente o nível da maestria, ele sabe que há um longo caminho pela frente.

agosto 24th, 2009

Jerônimo Mendes | Atendimento nota zero

Depois de muita insistência da área de pós-venda ou telemarketing, seja lá o que for, dia desses levei o carro para uma revisão do tipo “relâmpago” e programada, pelo menos foi o que me disseram, na concessionária mais próxima da minha casa, cujo atendimento foi marcado para 13 horas, com previsão de 45 a 60 minutos para conclusão do serviço. Considerando minha agenda de trabalho, imaginei que o tempo era mais do que suficiente para uma rápida verificação e, por conta disso, eu cheguei um pouco mais cedo, para facilitar o trabalho do técnico e também o meu, é óbvio, afinal, tempo é dinheiro, como diz o ditado. Além do mais, o que é combinado não é caro, digo sempre. De fato, quando cheguei lá, o atendimento estava agendado, conforme combinado por telefone, mas cadê o miserável do técnico? Simplesmente sumiu.

agosto 17th, 2009

Jerônimo Mendes | Tente outra vez

Faz exatamente vinte anos que Raul Seixas, o Maluco Beleza, deixou o convívio terreno e partiu para outra dimensão (ele se foi em 21.08.1989). Dentre as inúmeras músicas interpretadas pelo célebre Raul, uma delas continua recorrente na sociedade atual. “Tente outra vez” diz respeito aos fortes de espírito, aqueles não se deixam vencer pelas adversidades ao longo do caminho. Deveria ser o hino dos que ainda crêem na esperança de encontrar a sua própria voz, ou seja, a sua própria vocação.

A sociedade em que vivemos é uma sociedade voltada para o trabalho, portanto, é difícil escapar ao fato de que somos incentivados a trabalhar duro para conseguir o que queremos. Desde pequenos ouvimos dizer que bens materiais, reconhecimento, valorização e sucesso custam caro. Em geral, somos levados a imaginar que fama e fortuna estão disponíveis somente para aqueles que trabalham mais e chegamos ao ponto de acreditar que uma vida modesta, desprendida de esforço, nos impedirá de conseguir o que desejamos.

agosto 10th, 2009

Jerônimo Mendes | Por quê as equipes fracassam

De acordo com o Professor Dante Quadros, meu inestimável guru quando se trata de liderança, existem quatro tipos de agrupamentos nas empresas: Bando, basicamente cada um por si, Deus por todos, ou seja, ninguém se entende e cada qual age à sua maneira; Grupos, também conhecidos como forças de coalizão, concorrentes entre si, tais como os grupos do RH, do Comercial, do Financeiro, da Produção, do Marketing e assim por diante; Equipes, formadas por profissionais bem intencionados que conseguem executar o trabalho melhor e de maneira mais rápida, além de fornecer uma sensação de valor, de união e de sentido a todos os que se relacionam com elas; por fim, os sonhados Times, verdadeiras orquestras que atuam em perfeita sintonia com a visão e a missão da organização, semelhante àquele formado pela “Família Scolari” que conquistou a Copa de 2002. Esses são simplesmente inesquecíveis.

agosto 4th, 2009

Jerônimo Mendes | Até que a demissão nos separe

Todo emprego tem uma relação parecida com a de muitos casamentos e exige sacrifícios e decisões de ambas as partes. Num primeiro momento vem a fase de aproximação e respeito mútuo. A entrevista é suave, as palavras são lapidadas e a troca de olhares é intensa. Sobram gentilezas e é permitido confidenciar as expectativas. As partes se medem da cabeça aos pés, disfarçadamente, cada uma com sua técnica e, por mais que se esforcem, não há como identificar os defeitos que ambas fazem questão de esconder ou que a cegueira do amor não é capaz de perceber.

Na relação patrão-empregado, o namoro dura pouco. Há mais de 200 anos é assim, desde a Revolução Industrial. A lua-de-mel começa no mesmo dia da admissão e dura menos ainda, afinal, a união precisa produzir frutos o mais rápido possível. Não sobra muito tempo para amaciar a presa, acariciá-la nem prepará-la psicologicamente para a consumação do fato, a tal das preliminares. O início é meio dolorido, mas aos poucos a relação se ajeita e ambos vão pegando amor e ódio pelo caminho.

Nos primeiros meses você percebe que aquele sorriso já não é tão meigo, aquele corpinho já não é tão bonito quanto você imaginava e aquela barriga do tipo “tanquinho” era mais agradável na foto do que ao vivo. Coisas incríveis começam a acontecer: você já não quer mais andar de mãos dadas, encontra defeitos com frequência, passa a ser inquirido em qualquer atraso ou saída antes do horário e as horas-extras seguidas começam a despertar preocupações.

julho 27th, 2009

Jerônimo Mendes | Erros passados, sucesso futuro

Nossa mente é um museu de verdades contraditórias, dizia Emerson, o grande pensador e filósofo norte-americano, razão pela qual estamos, a todo o tempo, nos comparando, geralmente, com aqueles que estão melhores do que nós, pelo menos na aparência. Numa perspectiva pouco otimista, a mente humana trabalha a maior parte do tempo com base em prejulgamentos ou preconcepções estabelecidas por modelos mentais que acrescentam pouco ao desenvolvimento humano.

De fato, muitas pessoas dão importância mais para seus fracassos do que para seus sucessos. É fato também que o nosso cérebro grava com mais facilidade os acontecimentos acompanhados de fortes emoções, construídas e armazenadas com base em acontecimentos predominantemente negativos: algum tipo de humilhação sofrida, castigos exagerados, a perda de um ente querido, um negócio malsucedido, amores não correspondidos e assim por diante. Portanto, existe muito mais intensidade emocional em relação aos erros, enganos e fracassos do que em relação às conquistas.

julho 21st, 2009

Jerônimo Mendes | Um click diferente

JeronimoMendesMiniaturaTodo ser humano tem um pouco de Michael Newman, personagem interpretado por Adam Sandler em Click, uma comédia americana. Newman é o verdadeiro workaholic estressado que dedica seu tempo exclusivamente para o trabalho para sustentar uma vida além de suas possibilidades e para acompanhar a extravagância do vizinho. Para Newman, nada na vida tem mais importância do que o trabalho. De posse de um controle remoto que pode acelerar o tempo e, portanto, o caminho para o sucesso profissional, Newman deixa-se levar pela pressão do chefe e entrega-se totalmente ao trabalho, afinal, um simples clique pode resolver todos os seus problemas. Resultado: Newman não vê os filhos crescerem, não vê a mulher se separar dele e casar com outro nem vê o pai morrer, uma das pessoas que ele mais amava.

Com o poder do clique, o mundo mudou e ele não se deu conta até o momento em que acaba hospitalizado e morto por conta de um infarto. Felizmente, Newman estava sonhando e, consciente, pode refazer o caminho, mas isso não é a realidade de milhares de profissionais ao redor do mundo. Uma das frases mais célebres do cantor e compositor Raul Seixas dizia: “há homens que já nascem póstumos”. Na época, ainda que eu me considerasse um poeta razoável – quem não foi poeta na juventude que atire a primeira pedra –, era difícil entender o significado, porém hoje isso está claro para mim: “há homens que já nascem póstumos”. Profundamente verdadeiro e significativo. Pode-se interpretar a frase de duas maneiras distintas.